Sempre que alguém me pergunta se vale a pena ir na Comic Con Experience, eu respondo da seguinte forma: “Olha, é trabalhoso e cansativo, as vezes você pode se decepcionar com preços e filas, mas a maioria das vezes, você vê coisas incríveis que nunca tivemos aqui no Brasil, e eu acho sacanagem não participar e apoiar essa iniciativa”.

Porque a verdade é essa mesmo: O grupo dos organizadores (Omelete, Pizii Toys e Chiaroscuro) fizeram o inimaginável em despertar em empresas tão adoradas pelo público nerd a vontade de se juntar e realizar atrações incríveis para o povo brasileiro.

Eu vim de uma geração que comprava livro de RPG em banca, que colecionava brinquedos comprados em feiras e que sabia de um filme quando assistia o trailer na TV. A primeira vez que fui no bairro da Liberdade, em São Paulo, quando tinha 15 anos, e vi lojas especializadas em figuras colecionáveis, jogos da tabuleiro importados e histórias em quadrinhos, me senti em outro mundo, um mundo no qual eu me identificava muito mais do que qualquer outro.

Hoje em dia, temos centenas de lojas online e físicas com as mais variadas gamas de produtos do interesse geek, mas mesmo assim, sei que muitas pessoas amantes da cultura pop espalhadas pelo país, nunca tiveram a chance de ver alguns desses produtos em uma prateleira.

É exatamente aí que a CCXP impressiona! Ela encheu o maior salão de eventos da América-Latina com dezenas de empresas focadas no entretenimento nerd. Foram quatro dias de atividades, competições, brindes, anúncios, autógrafos, filas e emoções. Sempre que eu penso “acho que esse ano vou passar”, só de ver os vídeos resumo de cada dia eu agradeço por ter ido.

Falando agora sobre a edição desse ano: Chegando em orgulhosos cinco anos de eventos, posso dizer que houve uma melhora significativa em vários pontos, sendo que irei aprofundar em dois deles, mas no geral houve evolução no processo de entrada, que ficou mais prático ainda; Uma boa melhora nas opções de comida do evento, que fizeram diminuir o tempo perdido em filas no almoço; Na Artist Alley, que houve uma decoração incrível e com ótima seleção dos artistas; E por fim, o credenciamento da imprensa, que ficou bem mais prático e generoso, uma vez que foram concedidas credenciais para todos os dias para blogueiros no geral.

O primeiro ponto são os convidados. Temos que admitir que esse ano, a equipe de caça de celebridades se superou, foram muitos nomes e, principalmente, de grande relevância no meio da cultura pop.

Um dos fatores negativos que muitas pessoas usam para descreditar a CCXP é sobre eles fazerem anúncios durante o ano e, infelizmente, terem que voltar atrás uma hora que a celebridade tem que cancelar sua presença. Isso acaba gerando muita revolta e indignação, mesmo de pessoas que nem tinham planos de colocar “conhecer fulano” em sua lista da tarefas no evento.

Esse ano, parece que os organizadores aprenderam uma lição: Não anunciar alguns convidados e surpreender com a presença deles. Sendo assim, se não der certo, ninguém soube de nada, se der, vai ser uma alegria só. E realmente foi. 

Outro ponto a se levantar foram os stands do show floor e suas atividades. Em eventos passados, eu reclamava muito de stands que faziam atividades para poucas pessoas e que necessitavam de muito preparo, vide o salto da fé de Assassins Creed: O Filme em 2016 que tinha uma fila de espera de 9 horas.

Parece que esse ano as empresas entenderam isso e investiram em atividades coletivas, brindes variados e, principalmente, o uso de recursos digitais para organizar os horários, como retirada de senha pela internet. Tudo isso contribuiu para realizar mais atividades no mesmo dia e sair ainda mais realizado de um evento desse.

A cultura pop anda ganhando mais e mais força ao longos dos anos, e é com muito orgulho que temos uma data tão forte em nosso calendário como a CCXP. A conclusão é essa: Se você se identifica, minimamente que seja, com todo esse universo, então participar de um festival desse tem que ser sua prioridade todo ano.

Fotos de Thiago Almeida (segue ele lá no Insta).

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